1 maio, 2015

A chatice não tem cura, mas tem tratamento!

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por Máucio

Os chatos existem em todos os lugares, falam em todas as línguas, exercem variadas profissões. São homens, mulheres e crianças também. A chance não discrimina idade, sexo, ideologia nem religião. Pode estar em qualquer ser humano. Se fosse doença infectocontagiosa seria praga pandêmica.
Existem vários tratados sobre os chatos e, confesso que não os li. Quero aqui apenas tentar dar uma modesta contribuição no sentido do isolamento desse vírus e, quem sabe, propor estratégias para minimizar seus efeitos.
A primeira dúvida que paira é se o chato sabe ou não sabe que é chato. O que você
acha? Se ele for inocente, se o mala ignora essa sua característica, então é um mal incurável. Ele não sabe que é chato e continuará assim pelo resto da vida. Se alguém tentar acusá-lo, certamente não se dará por achado, afinal não ter desconfiômetro é um dos traços definidores básicos desses indivíduos.
Por outro lado, existe uma corrente sócio psicanalítica que acredita que todo o chato
sabe que é chato e usa essa propriedade conscientemente. Seria o chamado chato
profissional ou de carteirinha. Neste caso a possibilidade de cura é ainda mais remota. Um dos estratagemas mais utilizados por esses seres é o de prender suas vítimas sem aviso prévio, sem o menor sinal detectável. Quando a pessoa vê está enliada. Suas palavras e frases se transformam instantaneamente em teias e a presa fica parecendo uma mosca atordoada. No início o assunto parece inofensivo e quando o capturado se dá conta já é tarde. Só resta pensar em como sair do enrosco.
Na verdade o que torna chato um chato não é o assunto, é algo mais abstrato, difícil de explicar. A temática pouco importa pro chato. Mesmo que não fique claro, o foco central é sempre ele mesmo. Muitas vezes o chato começa a conversa dando a impressão que ele quer ouvir, mas é puro engano, isso é só mais uma de suas armadilhas.
Podemos sofrer o assédio do chato em qualquer lugar: na rua, no trabalho, na escola, na missa, no cinema, no supermercado. Na rua a chance de nos livrarmos é um pouquinho maior: desculpe, a loja tá fechando, tenho que pagar uma conta! Outra hora a gente conversa! Me manda por email! Tô indo buscar a mulher na rodoviária! Tenho certeza que você já usou uma dessas desculpas.
Tem uma situação, porém, que a coisa se agrava. Quando fica sabendo que o chato
estará na sua festinha de aniversário. Nesta circunstância só há uma saída. Você deve,
obrigatoriamente, convidar um segundo chato.
De preferência que os dois se conheçam pouco. Faça isso e, no transcorrer da festividade, dê um jeito de aproximá-los. Não será tarefa muito difícil, você vai ver que eles se atraíram quase que espontaneamente. Este artifício é uma forma de neutralizá-los, de mantê-los ocupados.
Se você agir assim terá horas tranquilas e os demais convidados passarão uma noite agradável, com baixo risco de serem importunados. Os dois chatos? Ficarão se digladiando horas a fio. De quando em quando, você poderá até passar por perto pra checar, vai comprovar que o papo se mantém no mesmo diapasão. Não esqueça, portanto deste princípio, nessas ocasiões o número de chatos nunca pode ser ímpar.

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