EXTRA: Salão de Humor do Mercosul aceitará envio pela Internet
Com exclusividade informo que o SALÃO DE HUMOR DO MERCOSUL/ SANTA MARIA CHEIA DE GRAÇA, atendendo a dezenas de pedidos, nacionais e internacionais, passará a aceitar o envio dos cartuns via Internet. A nova regra será divulgada a partir da próxima segunda-feira (02/4) no site do evento. ( para saber o endereço do site basta ver o post anterior )
As inscrições que encerrariam dia 10 de abril terá mudança de data e o limite de recebimento dos trabalhos passará para o dia 20 de abril.
Aproveitem as ¨melhorias¨ e metam ficha! E, se possivel, avisem os amigos.
Santa Maria Cheia de Graça – Salão de Humor do Mercosul 2012
Regulamento e Ficha de Inscrição
(português/ inglês) AQUI
http://www.santamariacheiadegraca.blogspot.com/
Presunto ou Mortadela?
Por Máucio. Do livro A Coisa & Outras Coisas
Os hábitos alimentares são históricos, como qualquer coisa que envolve o ser humano. O homem iniciou comendo caça, depois plantou, confinou e em um terceiro estágio, passou a industrializar comestíveis. Entre uma década e outra também varia muito a produção e o tipo de alimento utilizado, que são, inclusive, indicadores de classes sociais. Li esses tempos que os suínos, por exemplo, eram consumidos só pela nobreza. Mais tarde houve um refinamento maior, as partes nobres, como lombos e pernis eram separados para os patrões e a plebe ficava com o rabo, as patas, as orelhas e assim por diante. Graças a isso os escravos inventaram a feijoada. Por ironia, nos dias de hoje uma feijoada autêntica custa caro e é servida nos restaurantes dos mais abastados. Aos pobres restou o cotidiano feijão simples com arroz, que por sinal também é delicioso e nutritivo.
As décadas de 1960 e 1970 foram caracterizadas por modificações e novos processos industriais na produção de alimentos. Um dos fatos marcantes desta modernização foi a gradativa substituição da manteiga pela margarina. O Rio Grande do Sul, por motivos estratégicos e para descalabro de muitos agricultores que ficaram devendo muito para os bancos, passou a ser um grande produtor de soja. Ora, a margarina é um subproduto dessa leguminosa. Havia uma grande produção e precisava-se fazer o povo consumir margarina em larga escala. Qual o discurso? Divulgar os malefícios da manteiga e salientar os benefícios da nova pasta rica em de conservantes e aromatizantes. Tenho uma embalagem antiga de margarina que está escrito em destaque, 100% gordura hidrogenada. Vejam só!
Outra troca foi a do pão feito em casa pelo pão de padaria. Em relação ao leite a luta travou-se no campo oficial. Proibiu-se o leiteiro distribuir de porta em porta. Quando flagrado descumprindo a lei, tinha seu produto derramado na rua, para todos verem. A acusação era a falta de higiene. A qualidade alimentar do leite natural e integral não entrava em questão. É bom lembrar que gerações e gerações foram criadas com leite de vaca trazido direto do produtor.
A questão maior dos alimentos industrializados é que só prometem assepsia e supérfluos como aventura e brindes, além da facilidade de comer. Os valores nutricionais ficam em quarto plano. Com a publicidade massiva os adolescentes aderiram e comem só com os olhos, ou pelo som que os elmachipis fazem na boca. Outro problema sério é que com a correria cotidiana todos acabam entrando nesse automatismo de consumo, compramos e comemos sem pensar.
Esses tempos vi que comprava pão, presunto e queijo mecanicamente, com medo de chegar em casa e não ter nada pra matar a fome. No entanto percebi que comprava fatias de presunto quando ainda tinha na geladeira. Fiz isso várias vezes. Dei conta que, na verdade, nem andava comendo presunto e que muitas vezes nem abria o embrulho. Por que agia assim? Lembrei que havia tentado trocar de marca umas vezes: mais vermelho, mais rosado, com mais ou menos gordura. Nada, nenhuma tinha gosto algum. Era só uma compra simbólica e expectativa de comer. Um dia tive um estalo, vou tentar mortadela. Porque eu achava estranho quando alguém chegava no balcão e pedia isso. Parecia coisa de pobre, mas arrisquei. Foi uma mudança de grande ordem, mortadela tem gosto, sabor, tempero! Façam o teste!
Pesquisando descobri que as mortadelas são feitas com as partes menos importantes do porco, enquanto que os presuntos são processados com as partes finas: o lombo e o pernil. Vejam vocês, certas coisas dão voltas e ficam no mesmo lugar. O consumo do porco continua apontando as classes sociais. Meu receio é de que, quando descobrirem o verdadeiro sabor dessa iguaria e a farsa que são os insossos presuntos industrializados, os nobres irão querer toda a mortadela para eles.
O tempo não para.
Por Máucio
A gente passa o ano inteiro ouvindo expressões como: poxa, já estamos em maio; credo, já é agosto; cruzes, já está chegando o fim de ano! As pessoas vivem reclamando que tudo está rolando muito depressa. Será que foi o tempo que mudou ou foram os viventes?
Tem uma teoria bem simplória que tenta explicar esse fato. Para uma criança de quatro anos de idade, 12 meses representam 25% de sua existência, para um indivíduo de quarenta, significam apenas 2,5%. Isso quer dizer que quanto mais velho o sujeito fica, mais 1 ano parece menos.
Não sei bem se faz sentido, mas tem certa lógica. Na verdade o que parece que mudou mesmo nos últimos tempos é o número de afazeres e a rapidez dos acontecimentos e contatos. Alterou-se a velocidade das coisas. Por exemplo, uma conquista amorosa antigamente poderia levar meses ou até anos. Nos dias atuais se consegue com facilidade o nome, o fone, o email, o MSN, o Twitter – e não sei mais o que – da pretendida. Em poucos dias, horas, minutos se estabelecem as possibilidades do enlace. Ou dá ou desce.
Os celulares e a Internet são sem dúvidas os grandes aceleradores do nosso cotidiano. Muitas vezes, por força da profissão, ficamos plugados 8, 12, 16 horas por dia. Na verdade estamos todos linkados 24 horas por dia, até mesmo quando dormimos. Com isso a sensação de que tudo passa muito depressa é ainda mais evidente.
Isso se deve também à hegemonia avassaladora do Deus Cronos. Nele a noção do tempo é matemática, precisa, sequencial, com os eventos enfileirados. Vivemos a cada minuto como se participássemos de um enredo complexo, cheio de inícios e fins a cada momento.
A vida humana, no entanto, possui outras dimensões, a da continuidade, da contemplação e da emoção, que sucumbem diante das fragmentações contemporâneas. Precisamos de menos cronologia e mais atemporalidades.
Feliz ano novo a todos!
(crônica publicada em 28/12/2010 – no site do Claudemir Pereira)





